A primeira vez que o vi foi numa passagem por Moura. Numa rua estreita encontrei uma pastelaria que proporcionou refugio e uma promessa de água fresca face ao calor abrasador que então se fazia sentir. Curioso como sou, logo reparei nele. Como um rei, na sua taça de vidro e rodeado dos outros doces comuns como se fossem a sua corte. Perguntei no balcão qual era o nome daquela misteriosa iguaria. Manjar, foi a resposta.
Provei. Gostei. E quando, esporadicamente, passo por esta jovem cidade alentejana, é ponto de paragem obrigatório. O manjar e eu temos sempre que colocar a conversa em dia.
Mas, voltando àquela primeira vez, a história ainda não terminou. Ao passear pela cidade, dei de caras com um pequenino livro que estava num expositor – penso que foi na Biblioteca Municipal - quase feito artesanalmente, mas que o titulo me cativou: Cozinha de Moura. Era da autoria de uma senhora chamada Maria da Conceição Segurado, que pelos vistos tinha fama de excelente cozinheira. Desfolhei-o. Este livrinho continha um conjunto de várias receitas típicas do concelho. Claro, que encontrei a página que desvendava o segredo do Manjar. Comprei-o.
Confesso que por mais que se faça a receita, nunca sabe tão bem como quando se degusta o manjar em Moura. Para quem interesse um dia fazer a comparação, aqui vai a receita, conforme regista o livro. Poderosamente simples e altamente calórico. Prontos, não é para comer todos os dias! O que o torna até mais fidalgo.
Manjar
250 g. de miolo de amêndoa
250 g. de açúcar
Miolo de pão (mais ou menos 250 g. digo eu)
6 gemas
Coloca-se o açúcar ao lume com duas ou três colheres de água, deixa-se ficar em fio e junta-se a amêndoa picada, mexe-se muito bem. À parte coloca-se numa tigela o miolo de pão e deita-se água a ferver mexendo até ficar em papa.
Junta-se a papa de pão à amêndoa e ao açúcar, mexendo sempre. Batem-se 6 gemas e sem retirar o tacho do lume deitam-se as gemas em fio mexendo sempre.
Finalmente deita-se o manjar numa travessa e decora-se com drageias prateadas ou coloridas.




