sexta-feira, 12 de março de 2010

Um presente que muito me honra


FREE_SOUL, autora do blogue O Dito Por Não Dito agraciou-me com o selo ‘Blogue Super fofo’.
Se há coisa assente nestes mais de dois anos de blogar é que sou muito mimado pelos que visitam o meu cantinho. Este gesto é uma evidência disso. Agradeço muito, muito o gesto.

Segundo entendi, o espírito do prémio incentiva-me a falar um pouco acerca da palavra ‘fofo’. Sem rodeios, acho uma palavra bonita e adequada quando existe um certo grau de estima e confiança. A nível bloguístico  a free_soul é, de há um bom tempo, uma “amiga da casa”, por quem tenho estima e a quem prezo muito as visitas e comentários. Também aprecio muito os desabafos e as vivências que compartilha connosco no seu blogue.

A palavra ‘fofo’, quando aplicada a uma pessoa, forma instantaneamente na minha mente a imagem de alguém a quem uma simples frase não explica porque gostamos dela.

Uma pessoa que gostaríamos de ter como colega de trabalho, compincha de esplanada, companheiro num elevador avariado, dono da mão que nos puxa a orelha quando fazemos asneira, portador do único telemóvel que atendesse quando estamos numa aflição, condutor do carro que passa quando fomos apanhados pela chuva numa zona erma, confidente da minúscula alegria do nosso dia, provador oficial das nossas experiências culinárias, possuidor do livro que tanto queríamos ler e, não menos importante, portador de um sentido de humor capaz de transformar a recordação do mais hediondo acontecimento do nosso dia num motivo de sorriso.
 

Por isso gosto da palavra ‘fofo’. Assim, agradeço mais uma vez à free_soul este selo fofo e, armando-me em recebedor de um Óscar, digo:

“Quero dedicar este selo a todas as pessoas fofas que existem no mundo.”



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Os livros

”Acreditas mesmo nisso?”, perguntou ele. “Que os livros dão sentido à nossa vida?”

“Acredito”, respondi. “Um livro deve ser um machado para abrir o mar gelado que temos dentro. Que mais havia de ser?”


(Lido aqui. A conversa continua lá...)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Problemas da idade


(Recebido por e-mail. Não sei a autoria para dar o devido crédito. Enquanto o tempo e a inspiração andam a fugir-me, o humor, mesmo que seja emprestado, é um bom recurso.)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Um dia será


Já estava em divida para com o Sérgio. Já devia há muito tê-lo incluído nas músicas que aqui coloco. Com toda a justiça. Mesmo que tenha crescido com a vertente pimba da música portuguesa em redor, desde muito pequeno que me cativava esta voz e estas letras. Recordo que certa vez na escola andava a trautear o refrão: “cá andamos com a cabeça entre as orelhas”. Um colega, proveniente das melhores famílias da terra, olha para mim com um misto de ar surpreendido e incomodado e diz: “Que horror, isso soa a canção comunista!”. Confesso que não percebi de imediato esse mundo de conexões entre política e musica. (Era muito ingénuo, valha-me Deus!) Mas, sabia que gostava das músicas do Sérgio e isso bastava. Hoje apeteceu-me cantar esta.

...

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

...


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Um post mal intencionado

Uma praga. Uma maldição, um trabalhinho de vudu, um mau-olhado ou outra coisa qualquer que cause no mínimo uma dor de barriga a pessoa ou pessoas que desconheço.

Eu sei que não é conversa que se tenha. Mas, a razão é simples e decerto merece compreensão. 

Roubaram-me os pipos dos pneus do carro. Os quatro! Logo naquelas jantes que são o meu orgulho e onde esfalfo-me a tirar o negro pó de todas as fissuras. Logo aqueles pipos tão leais que cada vez que ia verificar a pressão dos pneus resistiam a sair como se fosse uma tentativa de violação.


E para que querem os larápios os pipos? Para que tipo de colecção de objectos inúteis? Para enfiarem no buraquinho das orelhas a fim de dormirem bem? Para servirem de supositórios? Para colocarem entre os dedos dos pés de modo a pintarem melhor as unhas?

Ainda me dizem que tive sorte. Podiam ter roubado as rodas. Ou até o carro. (Tipicamente português este tipo de raciocínio! Por essa linha de pensamento até ser atropelado é sinal de enorme sorte. “Morreu? Olha que sorte, podia ficar paralítico ou com uma grave deficiência!”; “Ficou paralítico? Ficou deficiente? Olha que sorte, podia ter morrido!”) Para mim é um roubo, independentemente do valor monetário, e um desgosto o que me fizeram. Ponto final.

E como não tenho maneira de encontrar o culpado, delego essa tarefa a quem pode. Se quero justiça de homens, entro com uma acção no tribunal; se quero justiça de quem controla coisas a um nível mais… digamos, elevadamente metafísico, rogo uma praga. 
(Raiospartam…)

A petição está feita. Para alguma coisa há-de servir ter um blogue.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

C&H

Num destes dias ao ver um concurso televisivo, era colocada a questão aos concorrentes sobre qual era a sua personagem de BD favorita. Lá foram desfilando personagens conhecidos do meu imaginário. Compartilhava o gosto da maioria, pois sou aficionado da BD. Mas, após uns minutos pus-me a pensar que personagem quereria comigo naquela hipotética ilha solitária onde sempre nos colocam quando querem sacar-nos as preferências. Demorei uns segundo, mas foi incontestável a resposta. Com todo o respeito pelas boas horas que me dão os homens-aranhas, Obelixes e Mandrakes… Quem me faz rir e pensar como ninguém é este menino e o seu tigre!








quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

São saudades, Senhor!

Tenho sofrido ataques de saudades. Precisos, cirúrgicos e como tal perfeitamente delimitados na duração e emoções evocadas. Nem um bisturi seria mais perfeito no recorte. Surpreendem-me sem um padrão regular. Por vezes apanham-me em situações delicadas e inapropriadas. Outras vezes não. Quando calha estar só, posso naturalmente deixar humedecer os olhos, encostar as costas à parede e deslizar devagar até ficar sentado no chão. Quando estou no meio de gente é mais inconveniente, mas já aprendi a lidar com a situação. Começo por deixar de prestar atenção ao que os outros dizem, mesmo que me esforce para tal; então é altura de fazer um sorriso diplomático e dizer em surdina que já venho. Por vezes o carro é o sítio ideal para estar só.

Saudades. Não é apenas o sentir a falta de alguma coisa, como os espanhóis e os ingleses traduzem esta palavra tão nossa. É muito mais. É sentir uma dor requintada em todo o corpo, com origem no peito, mas que é accionada pela memória. Não é apenas sentir a falta de algo que passou, acabou ou se deixou longe. É mais do que isso. Por vezes inclui sentir a falta de algo no presente ou até, em casos raros, no futuro. É mais do que factos memoriais. São ventos que roçam esquinas e afagam pedras da calçada. Iluminam faces, apertam mãos e circundam dorsos em abraços intensos. Invadem jardins roubando aromas, pétalas e até fragmentadas folhas secas. Aprisionam em si as luzes e sombras da cidade junto com os grilos nocturnos dos campos isolados.

E esses ventos conseguem entrar dentro de nós, violentamente, e depositar esses tesouros com uma doçura estarrecedora. Depois não há quem aguente em pé, no meio da multidão, a sorrir e a fazer conversa de ocasião.

Não é possível.