Uma das "minhas" canções. A excelente melodia reforça a mensagem que mesmo dentro das mais duras dificuldades da vida, nunca estamos sós na luta.
Dedicada ao Unfurry, porque andei a pensar no seu post de hoje.
Uma das "minhas" canções. A excelente melodia reforça a mensagem que mesmo dentro das mais duras dificuldades da vida, nunca estamos sós na luta.
Dedicada ao Unfurry, porque andei a pensar no seu post de hoje.
Ao limpar as estantes e voltar a arrumar os livros gosto de desfolhá-los porque, por vezes, encontro surpresas entre as folhas. Acontece que tenho o hábito de que, quando quero marcar uma página para mais tarde voltar a passar-lhe os olhos, apanho o que tenho à mão e enfio lá. A verdade é que na maioria das vezes, passa-me de ideia e só meses ou anos depois encontro o dito “marcador” e já não recordo o que estava a marcar. Não há muito tempo encontrei uma nota de mil escudos!
Ontem, encontrei um marcador. Esse marcador foi-me oferecido há mais de 20 anos - era eu um miúdo - por uma amiga que soube de uma época triste que, na altura, estava a passar. O marcador ostenta uma fotografia de um sol poente enquadrado numa árvore outonal e diz o seguinte:
Onde tudo parece acabar é que tudo começa.
(Começou Dezembro…)
A lista de blogues que constam no meu Google Reader é grande. Devido à falta de tempo, e por vezes devido ao esquecimento, não a tenho sintonizada com a enumeração que consta ao lado. (Está para breve, prometo…) Mas, ao mesmo tempo considero, paradoxalmente, a minha lista de blogues pequena perante o que gostava de aprender, descobrir e entender de outros.
O tempo e, verdade seja dita, um pouco de timidez, também limitam o número de comentários que deixo. No entanto asseguro, por tudo o que de mais sagrado existe, que TODOS esses blogues são um prazer regular que não dispenso; são uma espécie de janela que abro de par em par e por onde me chega um vento aprazível ao espírito.
No entanto, já aviso que hoje vou ser um pouco injusto nas referências. Injusto é apenas uma maneira de dizer, porque não se trata de avaliar a qualidade técnica ou o mérito académico dos blogues. Injusto porque vou falar dos meus sentimentos; e já sabemos que os sentimentos por vezes distorcem um critério mais científico e rigoroso. Dentre todos os excelentes blogues que acompanho, apetece-me destacar alguns que foram, neste ano, uma espécie de “vento debaixo das minhas asas”.
Perdoem-me assim uma parcialidade tão perceptível, mas eles merecem mesmo…
Para eles vai o prémio...
Foi o meu Génesis. O André Couto escreveu, num comentário recente deixado no meu blogue, que é por acaso que nos vamos descobrindo uns aos outros. Foi realmente por acaso que descobri o "Eu confesso...". Não me recordo que pesquisa estava a fazer com o Google, mas a certa altura um dos links atraiu a minha atenção e cliquei. Comparo o que senti ao começar a ler este blogue, com o que os relatos dizem que se passou na descoberta do túmulo de Tutankamon. Quando perguntaram a Howard Carter se estava a ver alguma coisa, ele apenas disse: "Sim, coisas maravilhosas!". Eu, á medida que explorava este blogue, ficava abismado. Nunca imaginei que aquelas “confissões” fossem-me tão familiares. Quando comecei também a explorar os blogues aí linkados começou para mim uma espécie de big bang: o início de um universo. Tenho pena deste blogue já há mais de um ano estar inactivo. Manuel, onde quer que estejas, obrigado e, volta, que fazes falta!
Foi uma das primeiras direcções apontadas pelo blogue "Eu confesso...". Foi o segundo blogue que li quase todo. Foi para mim uma leitura atenta, deslumbrante e muito reflectiva. Fez-me sentir a dignidade que existe numa forma de sentir e amar que o preconceito do meio em que fui criado tinha pintado com cores horríveis. Conseguiu com notável eficiência eliminar estereótipos instalados na minha mente. Um blogue que, fosse um cantor, eu esperava horas e empurrões para agarrar um autógrafo; um blogue que reflecte, decerto, alguém de qualidades humanas notáveis além de um hábil escritor.
Tudo o que elogiar neste blogue sinto que é pouco. O Pinguim viu-me nascer e dar os primeiros passos. Com a sua disponibilidade e perspicácia, nunca mais deixou de apoiar-me. O seu blogue é variado, muito interessante e sempre com uma faceta humana impressionante. É um autêntico “maestro” desta blogosfera. Está sempre disponível para os amigos e procura ajuntá-los todos, por exemplo, como organizador do jantar de bloguistas, e não só. É um credor ilimitado da minha amizade e apreço, por tudo e mais pela paciência com que entende o mundo de outros. (traduzido: o meu!)
Um dos blogues que mais me fidelizou nas minhas primeiras andanças na blogosfera. Tinha um “ambiente” muito bem conseguido em que imagens e palavras eram conjugadas brilhantemente. Um dos poemas que mais gostei de ler até agora foi lá publicado. Acompanhei os blogues que sucederam ao Boa Noite e Um Queijo. Neles, o então Arion, escreveu alguns dos textos que mais me fizeram pensar e, no plano mais pessoal, sempre teve a amizade suficiente para ser frontal comigo quando achou que o devia fazer. Como bloguista e pessoa tenho-lhe amizade, estima e admiração.
O Paulo foi dos primeiros a comentar regularmente no meu blogue. Agradeço-lhe a sensibilidade, a clareza e o espírito positivo de muitos deles. O seu blogue caracteriza-se pela boa disposição e uma selecção de textos, imagens e vídeos notável; foi a primeira pessoa que utilizou o meu mail para incluir-me no grupo a quem envia coisas giras. Foi uma sensação muito agradável! Sempre ocupado, mas sempre disponível para palavras de ânimo e boa disposição.
O Special K, que agora também anda mais ocupado por uma boa causa, também foi um dos primeiros e constantes comentadores do meu blogue, de uma forma muito significativa e solidária. Este seu blogue é muito cheio de humor, por vezes deliciosamente mordaz e referências musicais espectaculares, onde aprendi muito.
Comecei por conhecer “o Imperador” pelos comentários bem dispostos que ia deixando em alguns blogues. Também pelas referências elogiosas que lhe eram feitas por outros. Gostava de ir ao seu blogue desfrutar dessa boa disposição, mas um dia achei-me com coragem para comentar e assim ganhei a possibilidade de complementar a faceta que já conhecia, com a de um “companheiro de estrada” sensato, disponível e bom cozinheiro. (isto pelo que se diz…)
Um blogue onde me atraiu a excelente informação, conjugada com uma análise sensata e perspicaz. Junto a isso, acrescento que o Com Senso ao comentar algumas vezes no meu blogue tem sabido animar-me numa parte sensível e frágil de mim: a crónica falta de confiança no que escrevo. Soube, também recentemente, de uma maneira impecável, fazer-me sentir que não caminho sozinho.
Um blogue basicamente de fotografias que, por razões muito pessoais, me chamou a atenção muito cedo. É um local de sensibilidade e descoberta que não abdico.
Além de blogues, ficaria incompleto este meu reconhecimento se não mencionasse dois comentadores sem blogues:
Fugitivo
Um excelente amigo que me entende muito bem. Mesmo que o tempo não lhe permita ser uma presença constante na blogosfera, não passo sem lhe deixar neste post um testemunho da minha imensa gratidão.
Catatau
Um comentador constante e fortemente animador do meu e de muitos outros blogues. Pelas palavras que me marcaram; pela situação difícil que ele está a passar; pela certeza de que é um vencedor na vida, o meu grande abraço solidário e grato.
A todos, além destes que desejei destacar hoje e aqui, fica o meu reconhecimento.
Obrigado!
O ciclo que se encerrou teve que ver essencialmente comigo. Uma espécie de limpeza; ou de arrumação; ou até mesmo uma espécie de guerra civil, para esclarecer definições, ou, por outras palavras, para chamar as coisas pelos nomes. Na minha mente.
Como hei-de explicar?
Começo por recordar algo muito simples, mas que a certa altura foi uma pequena, mas providencial pedra no sapato. Pessoalmente, dou muito valor à amizade, acho que deve ser cultivada com empenho e não como cromos que juntamos e colamos numa caderneta. Certa vez li uma daquelas frases bonitas, uma citação, que dizia mais ou menos isto: “Um amigo é alguém com quem pensamos em voz alta”. Parei e pensei: comigo isso não acontecia. Não me atrevia a pensar em voz alta com nenhum dos meus amigos; só a mera ideia disso arrepiou-me transversalmente. Pouco tempo depois, sem conseguir deixar de pensar nessa frase, comecei a construir um amigo imaginário a quem eu contava tudo sobre mim, descomplexadamente. Comecei, sem dar por isso, a sorrir. Era uma ideia tão doce, com uma leveza enorme, que quase chorei de ser apenas uma imaginação minha.
Esse episódio fez-me chegar à conclusão que algo de profundamente errado passava-se comigo. (Era mais uma; eu parecia um íman de tragédias pessoais, de traumas bizarros e de complexos misteriosos. Caramba, como o universo devia estar na altura do meu nascimento! Devia ter existido um alinhamento maldito de planetas que nem o Hitler, se fosse vidente, conseguiria engendrar!)
Como qualquer pessoa de bom senso concorda, estar sem amigos, amigos íntimos, daqueles com quem podemos desabafar sem travões, é terrível, é doentio, é completamente demencial.
É apenas um pequeno relato, mas ilustrativo, do estado da minha mente. Por isso usei o termo guerra civil. Nada era linear e fácil. No fundo sabia o que eu era, mas meticulosamente formei uma linha de defesa contra isso. Não aceitava durante as horas racionais do dia o que no sossego da noite a minha cabeça pensava. Argumentava e esgrimia argumentos comigo próprio. Sentia-me continuamente esmagado pela sensação de culpa e frustração. Não sabia o que decidir senão seguir o que a maioria fazia; enquanto me diluísse na multidão estaria a salvo, pensava eu. Mas, não tinha paz nem verdade.
Assim o meu dilema shakespeariano - versão caseira – era: falar ou não falar, eis a questão.
Tinha que decidir. Ou falar ou desistir.
Por fim a nota de rodapé, escrita em letras pequeninas; o “mas” que existe em todos os discursos triunfalistas.
“Caminando”, diz o poeta. “Porque não?”, digo eu.