
No Jornal Público saiu uma reportagem cujo tema despertou a minha curiosidade: “Amar demais também pode ser um problema”.
"Se sofres quando amas...Se amas o homem errado...Se amas de maneira errada...Se amas alguém emocionalmente distante... Procura-nos! MADA (Mulheres que Amam Demais Anónimas) pode ajudar-te!". Estas são apenas algumas das muitas formas de amar erroneamente, inspiradas no livro de Robin Nonwood, “Mulheres que Amam Demais”, enunciadas no panfleto do grupo. O tom da escrita e os conselhos de auto-ajuda podem soar a seita religiosa. Mas não. O MADA é uma espécie de alcoólicos anónimos, onde o vício é não o álcool mas o amor.
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“Quando questionada sobre o que é uma mulher que ama demais Madalena diz não concordar com o nome do grupo: “considero o nome MADA bastante incorrecto, não é amar demais, é amar de uma forma doentia. Viver a vida mais virada para o outro do que para nós”. Segundo o psicoterapeuta Aníbal Henriques, “Mulheres que Amam Demais é um nome bonito que não estigmatiza, é um chapéu colorido e aberto que permite às pessoas escapar a patologias redutoras. Amar demasiado não existe, pode amar-se, sim, de forma desajustada ou desfavorável aos intervenientes”, conclui.”
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“Não têm necessariamente de ser vítimas de violência doméstica ou ter companheiros adictos. Podem ser mulheres com uma família normal mas que têm um sentimento obsessivo de posse para com o marido ou os filhos”, explica Madalena.
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Uma característica comum a todas estas mulheres é a necessidade de controlar os outros e de acharem que têm o poder para modificá-los, refere uma nota informativa do grupo. Madalena viveu com um alcoólico e programava a vida do companheiro para que as recaídas não fossem sucessivas. Anulou-se em função de uma vida que não era a sua.
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O equilíbrio consiste em ir ao encontro do outro, sem o perder nem me perder a mim próprio”, afirma Aníbal Henriques ao tentar explicar o que poderá estar na origem deste tipo de comportamentos compulsivos. “É um tango delicado. Dançar de forma agradável para o outro sem o pisar não é nada fácil”, metaforiza o psicoterapeuta.
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“nem sempre podemos falar em doença até porque todos, em algum momento da nossa vida, ‘amamos demais’, amamos de forma errada, queremos receber do outro não o que este nos dá mas o que necessitamos receber. É uma condição inerente às relações humanas”.
(fim da citação)
Isto de um sentimento essencial á vida poder estar na base de desequilíbrios emocionais é um assunto que dá “pano para mangas”. Recordo-me de ler há algum tempo a situação de mães que “amam” tanto os seus filhos que os medicam a fim de provocar neles doenças para os terem sob o seu controlo e cuidado o maior tempo possível.
Então, se tudo o que precisamos é amor, se alguém não tem/dá amor, não tem nada. E quem nada tem a perder pode tornar-se perigoso. Para si e para outros.
O que será pior? Amar de forma errada ou não amar por medo? Entre alguns malefícios, corre-se o risco de se ser insensível e congelar os sentimentos. Ser uma espécie de zombie, um morto-vivo entre o mundo dos sentimentos e o da razão.




