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sábado, 8 de março de 2008

Entalado

Let me apologize to begin with
let me apologize for what I’m about to say
but trying to be genuine
was harder that it seemed
and somehow I got caught up in between

Let me apologize to begin with
let me apologize for what I’m about to say
but trying to be someone else
was harder than it seemed
and somehow I got caught up in between

Between my pride, and my promise
between my lies and how the truth gets in the way
the things I want to say to you
get lost before they come
the only thing that’s worse than one is none

And I cannot explain to you
in anything I say or do or plan
fear is not afraid of you
but guilt’s a language you can understand
I cannot explain to you
In anything I say or do
but hope the actions speak the words they can


(
In Between - Linkin Park)

Nos meus momentos de raiva, de revolta e consequente solidão, as musicas dos Linkin Park conseguem tirar-me algumas lágrimas. O ultimo álbum, um pouco mais calmo e intimista do que o costume, tem letras como esta. Parece que não sou o único entalado entre dois mundos. A diferença, - utilizando com o devido respeito, o titulo do blogue do companheiro Special k – é que não tenho o melhor dos dois mundo. Não tiro proveito nem de um, nem do outro!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Sinto (cada vez mais) a tua falta

Tu não sabes…
A saudade que se tem de quem nunca acordou ao nosso lado.
A falta que se sente de quem nunca nos pegou na mão.
O prazer que dá sonhar com o que não aconteceu na realidade.

Tu não imaginas…
Como um sorriso teu me podia derrubar,
Como um teu abraço podia ter mais calor que o sol,
Como a tua voz podia ser a música da minha vida.

Ah!
Não sei se era realidade ou se são os meus desejos.

Realidade…
Real é a saudade, a falta e o sonho.


(Permitam-me incluir neste desabafo as palavras de
Bernardo Soares:
"Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!")

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pessoas


Tenho uma paixão por livros. Ainda pequeno, estudante, gostava de ir a uma livraria nos “furos” das aulas e passar lá o tempo a desfolhar livros. Hoje ainda me admira não me terem posto a andar por estar ali a ver livros e não os comprar. Deviam ter pena. (“Coitadinho, tão pequenino e já tão sozinho, quem tem que vir aqui…”) Mas, não. Não era esse o caso. Continuo tão apanhado por qualquer papel que tenha letras e bonecos que se me passam para a mão nem que seja uma publicidade de um hipermercado, acaba a vida á minha volta. Dependências…

Dessa época escolar lembro-me de um livro biográfico sobre Fernando Pessoa. Gostava de ver as fotografias sobre a vida daquele homem magro e tristonho. Folheei-o muitas vezes. Algo me atraía naquela história. Com o tempo fui conhecendo a sua poesia, tentando entender o seu mundo, no fundo, tinha a sensação de que algo na sua escrita tinha a haver comigo. Gosto de ler Pessoa, mas se tivesse que escolher um heterónimo, Álvaro de Campos ganhava o concurso.

Voltando ao livro já referido. Eu olhava para aquelas fotografias e pensava. Se me tivesse cruzado com um homem assim, de figura tão simples e deslavada, nem o notava.

Mas, como rendi-me ao poder da sua palavra escrita, á sua riqueza de expressão, á sua mente prodigiosa.

E tenho eu pensado nestes tempos todos:

Para que lhe serviu? Foi feliz assim? Que grandes questões ele pode responder? Ou simplesmente escreveu porque era a sua natureza escrever?

(Chove. Que fiz eu da vida?

Fiz o que ela fez de mim...

De pensada, mal vivida...

Triste de quem é assim! )

Pessoa consegue expressar de uma maneira grandiosa e eloquente as duvidas que de um jeito mais pequeno também tenho. Reflecte desassombradamente em temas como a verdade, a existência e a identidade.

Mas, que me pareceu um homem triste e perdido neste mundo, parece…(Como eu)

(Quando é que passará esta noite interna, o universo,

E eu, a minha alma, terei o meu dia?)

Isso leva-me constantemente a pensar para que serve o conhecimento. Sou muito curioso, procuro insistentemente respostas, não me contento com o que toda a gente diz.

Mas, sempre há mais e mais para saber. E que respostas tenho?

Não tenho nem um pingo do enorme oceano que Pessoa é, mas entendo bem o seu cansaço da vida. Lembra-me uma expressão popular enuncia que “quem aumenta o seu conhecimento aumenta a sua dor.”

Será porque não há respostas? Será porque elas são infinitas? Sempre existirá um porquê no virar da esquina?

Consola-me que um génio como Pessoa escreva sobre algo que também é a minha preocupação. Bom para mim… (Afinal não sou maluco por pensar nisto)

Mas, para mim cada vez mais está falida a ideia de que tudo neste mundo tem um sentido á nossa medida. Tem que existir um sentido, uma razão, um porquê.

Mas, humildemente reconheço que não temos capacidade de o entender. Parece que somos apenas elos de uma cadeia de eventos que tem que seguir, doa a quem doer.

A natureza está-se completamente borrifando para os nossos sentimentos como humanos, e para as nossas noções de moral e ética. É fria, implacável no seu trajecto. Esmaga quem se atravessa no seu caminho. Os humanos poderiam desaparecer da face deste planeta e o curso da vida continuaria neste ponto de pó no universo.

Porque então temos consciência de nossos sentimentos? Para que servem?

Para sofrermos com a nossa impotência e sentimento de orfandade? Se estamos aqui apenas para passarmos os genes, porque não somos como os animais que o fazem com menos problemas existenciais?

(O único mistério do Universo é o mais e não o menos.

Percebemos demais as cousas — eis o erro, a dúvida.

O que existe transcende para mim o que julgo que existe.

A Realidade é apenas real e não pensada.)

Oh, Pessoa!

Obrigado por falares destes assuntos de uma forma tão bela. Obrigado por fazeres sentir ao comum e ignorante dos mortais, como eu, que as duvidas existências podem ser uma obra de arte.

(O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.

O que há é pouca gente para dar por isso.)

(Este é um desabafo de um completo leigo em poesia de Pessoa. Apenas gosto de saboreá-la e pôr-me a inventar. Cruzei os sentimentos que me desperta a leitura da sua obra com os meus pensamentos. Não pretendo passar por entendido na analise de sua obra que é monumental e digna de sagrada reverência. Sendo ignorante neste estudo, escrevo como pessoa comum a ser iluminada por este génio. Tenham paciência comigo!)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Começo a conhecer-me. Não existo.

Começo a conhecer-me. Não existo.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,

ou metade desse intervalo, porque também há vida ...

Sou isso, enfim ...

Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.

Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.

É um universo barato.

(Alvaro de Campos)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Nem tudo é a sério...

Ando em tempo de recolhimento e meditação.

Tenho escrito o que nunca tive a coragem de disser. Como abençoada consequência, alguns comentários de companheiros de blogs têm-me feito pensar (Sempre compensa dizer a verdade…)

Assim, coisas sérias, momentaneamente está difícil de escrever. Estou a trabalhar para arrumar melhor esta cabecita. Mas, neste país sempre existe matéria para assuntos pseudo humorísticos.


No jornal “Público”, dia 1.02.2008, no suplemento P2 vinha o artigo: “Regicídio Crime ou castigo” sobre o atentado que há 100 anos vitimou o Rei D.Carlos. A certa altura foi facultada a seguinte informação:

“Já a autarquia alentejana de Castro Verde, de onde era natural Alfredo Costa, homenageará esta tarde o regicida com o descerrar de uma lápide. E a comissão instaladora da Associação Promotora do Livre Pensamento pretende promover uma cerimónia no cemitério lisboeta do Alto de S. João, que incluirá a deposição de uma coroa de flores no local onde repousam as ossadas dos regicidas.”

A minha imaginação voou.

Logo imaginei o tremendo orgulho que os habitantes de Castro Verde têm por um seu conterrâneo ser um assassino de dois homens que, por acaso, eram pessoas da realeza. Sim, por que alguém que têm coragem de silenciar os seus oponentes, é bom. Então se lhe espetar umas balas na cabeça, é um herói.

Tive acesso ao discurso (inventado por mim) com que se inaugurou esta lápide e passo a citar:

“Prezados castroverdenses, nesta altura temos o prazer de recordar aqueles que com sangue (dos outros, é verdade, mas também conta) escreveram páginas gloriosas do nosso povo. A visão que tiveram foi fantástica. Estavam adiantados em relação ao seu tempo. Sim, porque isso do Bin Laden organizar assassinatos espectaculares dos seus opositores políticos e religiosos ou simples civis não é original. Começou aqui, pela cabecinha do nosso concidadão Alfredo Costa. Também, isso de os homens-bomba matarem montes de pessoas no Iraque, em Israel ou seja lá onde, já foi uma visão do nosso correligionário. Este homem que trabalhava atrás dum balcão, conseguiu surpreender e ultrapassar a elite intelectual da época com a sua estratégia. O seu lema foi: “Se não podes com eles, mata-os”. Saberia ele que a sua filosofia de combate político iria fazer escola no futuro? Onde ele estiver, estará concerteza orgulhoso daqueles que continuam a seguir a sua técnica. (Não sei é o que aconteceu quando se encontrou no céu com o D.Carlos. Como é que eliminou-o de lá?).

Assim, castroverdenses, em homenagem a este ilustre filho da terra, existirá á vossa disposição um arsenal de armas, pedras e fisgas para que, quando se sentirem incomodados com a oposição desta Câmara Municipal façam sentir a vossa argumentação. Claro, que para comigo, esse tipo de argumento não funciona”

Segundo parece também o governo vai fazer um levantamento em todos os estabelecimentos prisionais para enviar ás freguesias de todos os reclusos, placas que afixem nas casas onde nasceram. Afinal, não vai ser necessário esperar 100 anos para homenagear quem tenha cometido um crime. Medidas do Simplex…

Ah! Em relação á outra iniciativa mencionada no jornal, a Associação Promotora do Livre Pensamento vai aproveitar a cerimónia no cemitério do Alto de S.João para anunciar publicamente que mudará de nome. Passará a ser Associação Promotora do Livre Pensamento Para Todos Menos Para Os Reis Porque Se Pensam Muito Levam Com Uma Bala Nos Cornos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Silêncio e tanta gente


Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar
Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não


E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão


Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer


Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou


(Esta letra pertence a uma canção que representou Portugal na Eurovisão em 1984, cantada por Maria Guinot. Eu era pequenote, mas esta canção já me dava um "clique". Ainda hoje ouvi-la faz-me ter os olhos humedecidos. Parece que ela está a cantar a minha vida. Ter silencio com tanta gente á volta. Ter vontade de trocar toda uma vida por apenas um dia de ilusão, ai, ai... Mais um momento de nostalgia. E uma homenagem ao que eu considero uma das mais simples, mas mais bonitas canções que Portugal teve neste concurso. Se quisserem recordar ou conhecer é só clicar:http://www.youtube.com/watch?v=vblQfBMzvdE )

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Amo, desejo, quero


(…)
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada –

Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

(Álvaro de Campos)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Tenho saudades de ti.

Sinto a tua falta.

Tenho saudades da cadência dos teus passos, do rumor das tuas chaves, da alegria do teu cumprimento.

Não consigo o que substitua

o calor do teu abraço, o arranhar da tua barba, os arrepios das tuas cócegas.

Faltas…

Que raio de filmes são estes em que não existe a tua cabeça no meu colo? (que bom a minha mão sentir o teu cabelo)

Que sabor pode ter este jantar se não o vens cheirar e dizer (só para me chatear) que perdeste o apetite?

Que noites são estas sem o calor do teu abraço e o compasso da tua respiração?

Sinto-me só.

Sem alguém que me diga que sou preocupado demais, que devo esquecer as chatices do trabalho, que os outros é que não me dão o real valor.

Sem quem me garanta que não sendo perfeito, sou perfeitamente transparente e desejado.

Sem uma pessoa que me dê abanão (se for preciso, um estalo) quando o pânico me quiser dominar.

Continuo a sentir a tua falta.

Que musica pode ser esta se não estás aqui para a compartilhar?

Que praias posso ir sem a marca dos teus pés descalços?

Que castelo visitar onde não tenha que te contar a história dele?

Tenho saudades tuas.

E, (por ironia) tu não as podes sentir de mim.

Se tu não sabes…