sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Fim do mês: hora de balanço

Estava cá eu nas minhas deambulações transfronteiriças quando pensei: "Que quantidade de coisas interessantes neste mês que finda eu vi na blogosfera!" E tentei fazer um exercício mental sobre quantas delas eu recordava. (Foi interessante a lista!).
Continuei a pensar... (estava num dia bom...): "E se tivesse que destacar um facto desta lista qual seria?" (ai foi mais difícil, tal a qualidade, creiam) Mas, estando nisto, a minha cabeça dá um estalo. Fiat Lux!
Ai decidi. No fim de cada mês vou atribuir um prémio a qualquer coisa que tenha mexido mais comigo na blogosfera. Não é um prémio com rígidos estatutos de classificação, nem um júri qualificado vindo das diversas áreas da comunicação. Não. O critério será: "Apeteceu-me, gostei, guardei na memoria"

Assim, o prémio chama-se PORQUEMEAPETECEUM (raiz no latim, tá-se a ver...)

Em Fevereiro vou entregar na categoria NãoDeixemDe EscreverSenãoFicamosMaisPobresETristes.
Os vencedores do PORQUEMEAPETECEUM Fevereiro2008, são dois ex-equo:

Blogue Felizes Juntos
Ao Paulo e Zé (perdoem a ousadia da familiaridade por quem vocês não conhecem), pela sua alegria contagiante, pela sua salada russa de assuntos, pelas fotos e musicas vibrantes, e porque estando sobre stress sabemos o quanto se esforçam por nós ao continuarem.

Blogue Eu Confesso...
Ao Manuel (outra familiaridade pela qual vou pedir desculpas) por escrever aquele que foi o primeiro blogue que eu li sobre uma vida secreta, por escrever coisas que eu entendo e pensava que só eu as passava, por ser um blogue variado e com um cheiro omnipresente dos gloriosos anos 80. Foi o blogue inspirador para eu começar. O ulltimo post foi de Novembro de 2007 (tenho saudades!)

Bem, o prémio está entregue.
Ainda não tenho o símbolo do prémio, que estou em negociações com um famoso designer, mas em breve vai chegar á vossa caixa de correio o cheque correspondente a este galardão (esperem sentados PF)

Até á próxima gala no fim de Março.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Em memória de todos os que continuam a acreditar


Tenho pensado no que Oz escreveu recentemente num seu post onde se debruçava sobre se na homossexualidade pode existir lugar para um compromisso duradouro, ou se simplesmente o normal é uma passagem na vida em que se coleccionam aventuras e fugazes prazeres.

Creio que todos temos ideias claras do que nos dá prazer na vida. Algumas podem ser do tipo platónico, outras mais concretas. Que o sexo é uma fonte de prazer é um dado adquirido. Quando alguém sente a sua sexualidade realizada é feliz. Se o seu perfil é sentir-se bem com alguém do mesmo sexo, é normal desejar satisfazer esse desejo. Afinal, a sexualidade é uma necessidade básica da vida. Ponto assente. (Mais palavras para quê?). Mas, não devo ser o único a achar que um grande prazer na vida vem também de se ter alguém com quem compartilhamos espaço, tempo e emoções. Alguém com quem formemos uma espécie de equipa. Aquilo a que Oz chamou um “príncipe”. Creio que encontrar alguém que seja o nosso intimo e forte aliado na desventura que é esta vida, isso é algo impagável. Ter alguém que seja testemunha de nossa existência. Isso é a essência da vida.

Claro que este ideia está muito mais “colada” ao amor heterossexual. Mas, mesmo isso não é linear.
Um homem pode sentir-se feliz por estar casado com a mulher da sua vida e achar que não necessita aventuras extra matrimoniais. Outro pode amar a sua esposa como uma deusa e achar que ter algumas “saídas” é necessário para a sua vida sexual, sem que isso coloque em causa a sua devoção conjugal. Ainda é bem conhecida a vida cheia de amores passageiros que alguns playboys levam, sem nunca “assentarem”. Dizem que assim é que são felizes.

Mas, no caso dos homossexuais a histórica discriminação e perseguição, fez as coisas serem de outra maneira. Imagine-se a possibilidade de no passado tinham de estabelecer uma vida a dois! Bastava fazer uns biscates de vez em quando e “viva o velho”. Aceito que alguns homossexuais continuem a desejar múltiplos parceiros, sem uma ligação emocional. Outros mesmo sentindo-se ligados mais a alguém, talvez tenham essa veia aventureira do prazer pelo prazer. Claro, que o mundo da homossexualidade como tudo nesta vida não é perfeito. Quem em relação a sentimentos é ingénuo está lixado. Coexiste a superficialidade, exibicionismo e relações descartáveis com a nobreza, a dedicação e o espírito de sacrifício. Saber neste campo minado, encontrar as jóias no meio das pedras é o desafio.

O que então, pode fazer alguém feliz? Se se pode ter uma sexualidade realizada e uma relação estável, não é isso o melhor da vida? O sexo é um prazer momentâneo que se alguém poder juntá-lo a uma relação estável é sem duvida um prazer mais duradouro e significativo. Claro que não vivo no pais das fadas em que toda a gente vive feliz para sempre. Como dizia muito bem Oz, “para se saber reconhecer um príncipe de verdade é preciso ter beijado alguns sapos. E que tal como muitos sapos viram príncipes, muitos príncipes também se tornam sapos.” Acrescento, e quando encontrarem um verdadeiro príncipe, saibam mantê-lo, que nada é garantido.
É a vida!

(...)

“I want somebody who cares
For me passionately
With every thought
And with every breath
Someone who’ll help me see things
In a different light
All the things I detest
(…)
And when I’m asleep
I want somebody
Who will put their arms around me
And kiss me tenderly
(…)

Somebody – Depeche Mode

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Continuando a bater no ceguinho (quer dizer no natalzinho!)






Não há duas sem três, lá diz o povo na sua santa e desmembrada sabedoria. Assim, para despachar o meu farnel de comics sobre a visão negra do natal, aqui vai os ultimos.
Ofereçam hoje uma prenda a alguém querido, ou convidem a famelga para um repasto de arromba, continuem a sorrir para as melgas dos vossos colegas, e ajudem uma velhinha a atravessar a rua. Não esperem por Dezembro (faz frio para essas coisas, e há que guardar o dinheiro para a passagem de ano)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

E o natal continua na sua glória...
















Bem, é só para compartilhar convosco mais uns cartoons alusivos ao espirito natalicio. A rir é que se questiona os costumes.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O Natal é quando um homem quiser






Se este ditado é verdadeiro tenho toda a legitimidade em querer estabelecer o espírito natalício em pleno Fevereiro. Mas, já aviso, não é pelas melhores razões. Eu não gosto do natal. Para mim o natal é a festa que estimula o que de pior há na humanidade. (Não me atirem pedras já, decidam só no fim).


Reparemos, quando começa o primeiro sinal do natal? Quando começa a aparecer o pai natal em alguns anúncios ou nas montras de lojas. Inicia-se a época da caça ás prendas. Comprar, comprar e comprar. O que não se pode, para quem, algumas vezes, não queremos e, por vezes, o que não gostamos. Isto perverte o gesto bonito que é oferecer. Uma oferta deveria ser espontânea, sincera e dada a quem queremos por alguma razão afectiva.

Ah! Dizem alguns, e a família? Mas, qual família qual quê! Deixem de fazer uma mesa de consoada bem generosa e vão ver o amor que a família vos tem… Vão vos “cortar na casaca” até lhes doer os dentes. O que deveria acontecer é convidar a família quando desejamos e nos dá jeito. Ou então, nas datas importantes para o clã: casamentos, baptizados, aniversários, etc.

E o menino Jesus? Bem, o coitado já tem 2 000 anos e ainda é bebé. Nunca cresce? Mas, o que me dá graça é a legião de pessoas que durante o ano são ateias ou agnósticas e falam mal que se fartam da religião, que nesta época cantam aleluias e nem sabem porquê.

E alguém me pode dizer onde o pai natal estava no presépio? Disfarçado de vaquinha ou burnho?

E o espírito de natal?
Pois, alguém decidiu, “meus amigos em vésperas de Dezembro sejam bons, olhem com ternura para os pobrezinhos, sorriam docemente para os vizinhos e colegas que normalmente apetece ignorar (e que ignoramos realmente no resto dos 11 meses), e falem na paz entre homens de boa vontade (quem são? Boa vontade para fazer o quê?)”. E nós lá andamos assim, porque alguém nos carregou no botão.

E as musicas que nos entopem os ouvidos? Piedade! Misericórdia! “A todos um bom naaaataaaaal…” A técnica é tão eficaz que até eu as canto contra a minha vontade, mas os meus neurónios não me obedecem perante esta sonoridade repetida até á exaustão em todos os cantos do planeta.


Porque então disse que o natal revela o pior que os humanos têm?
Perante o atrás exposto, mostra que no que diz respeito aos sentimentos mais sagrados que devíamos ter como a solidariedade, a empatia, o espírito de família, a entreajuda e a generosidade, conseguimos fingir como se fosse verdade. Em nome do comércio, mais nada. Isso é assustador. Se conseguimos fingir nisso, que dignidade temos?
Ofendemos o genuíno e espontâneo espírito de generosidade. Colocamos a família num ritual pantagruélico. Os sinceramente crentes comercializam a sua fé.

Estou farto do “faz que toda a gente faz”

Eu em pleno Fevereiro, Abril ou Agosto vou oferecer um presente a quem me apetece, vou convidar a minha família para uma petiscada e vou continuar a fazer serviço voluntário numa instituição carenciada. E se fosse religioso, lembrava-me do meu Deus. (Agora se quiserem podem atirar pedras)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pessoas


Tenho uma paixão por livros. Ainda pequeno, estudante, gostava de ir a uma livraria nos “furos” das aulas e passar lá o tempo a desfolhar livros. Hoje ainda me admira não me terem posto a andar por estar ali a ver livros e não os comprar. Deviam ter pena. (“Coitadinho, tão pequenino e já tão sozinho, quem tem que vir aqui…”) Mas, não. Não era esse o caso. Continuo tão apanhado por qualquer papel que tenha letras e bonecos que se me passam para a mão nem que seja uma publicidade de um hipermercado, acaba a vida á minha volta. Dependências…

Dessa época escolar lembro-me de um livro biográfico sobre Fernando Pessoa. Gostava de ver as fotografias sobre a vida daquele homem magro e tristonho. Folheei-o muitas vezes. Algo me atraía naquela história. Com o tempo fui conhecendo a sua poesia, tentando entender o seu mundo, no fundo, tinha a sensação de que algo na sua escrita tinha a haver comigo. Gosto de ler Pessoa, mas se tivesse que escolher um heterónimo, Álvaro de Campos ganhava o concurso.

Voltando ao livro já referido. Eu olhava para aquelas fotografias e pensava. Se me tivesse cruzado com um homem assim, de figura tão simples e deslavada, nem o notava.

Mas, como rendi-me ao poder da sua palavra escrita, á sua riqueza de expressão, á sua mente prodigiosa.

E tenho eu pensado nestes tempos todos:

Para que lhe serviu? Foi feliz assim? Que grandes questões ele pode responder? Ou simplesmente escreveu porque era a sua natureza escrever?

(Chove. Que fiz eu da vida?

Fiz o que ela fez de mim...

De pensada, mal vivida...

Triste de quem é assim! )

Pessoa consegue expressar de uma maneira grandiosa e eloquente as duvidas que de um jeito mais pequeno também tenho. Reflecte desassombradamente em temas como a verdade, a existência e a identidade.

Mas, que me pareceu um homem triste e perdido neste mundo, parece…(Como eu)

(Quando é que passará esta noite interna, o universo,

E eu, a minha alma, terei o meu dia?)

Isso leva-me constantemente a pensar para que serve o conhecimento. Sou muito curioso, procuro insistentemente respostas, não me contento com o que toda a gente diz.

Mas, sempre há mais e mais para saber. E que respostas tenho?

Não tenho nem um pingo do enorme oceano que Pessoa é, mas entendo bem o seu cansaço da vida. Lembra-me uma expressão popular enuncia que “quem aumenta o seu conhecimento aumenta a sua dor.”

Será porque não há respostas? Será porque elas são infinitas? Sempre existirá um porquê no virar da esquina?

Consola-me que um génio como Pessoa escreva sobre algo que também é a minha preocupação. Bom para mim… (Afinal não sou maluco por pensar nisto)

Mas, para mim cada vez mais está falida a ideia de que tudo neste mundo tem um sentido á nossa medida. Tem que existir um sentido, uma razão, um porquê.

Mas, humildemente reconheço que não temos capacidade de o entender. Parece que somos apenas elos de uma cadeia de eventos que tem que seguir, doa a quem doer.

A natureza está-se completamente borrifando para os nossos sentimentos como humanos, e para as nossas noções de moral e ética. É fria, implacável no seu trajecto. Esmaga quem se atravessa no seu caminho. Os humanos poderiam desaparecer da face deste planeta e o curso da vida continuaria neste ponto de pó no universo.

Porque então temos consciência de nossos sentimentos? Para que servem?

Para sofrermos com a nossa impotência e sentimento de orfandade? Se estamos aqui apenas para passarmos os genes, porque não somos como os animais que o fazem com menos problemas existenciais?

(O único mistério do Universo é o mais e não o menos.

Percebemos demais as cousas — eis o erro, a dúvida.

O que existe transcende para mim o que julgo que existe.

A Realidade é apenas real e não pensada.)

Oh, Pessoa!

Obrigado por falares destes assuntos de uma forma tão bela. Obrigado por fazeres sentir ao comum e ignorante dos mortais, como eu, que as duvidas existências podem ser uma obra de arte.

(O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.

O que há é pouca gente para dar por isso.)

(Este é um desabafo de um completo leigo em poesia de Pessoa. Apenas gosto de saboreá-la e pôr-me a inventar. Cruzei os sentimentos que me desperta a leitura da sua obra com os meus pensamentos. Não pretendo passar por entendido na analise de sua obra que é monumental e digna de sagrada reverência. Sendo ignorante neste estudo, escrevo como pessoa comum a ser iluminada por este génio. Tenham paciência comigo!)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Começo a conhecer-me. Não existo.

Começo a conhecer-me. Não existo.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,

ou metade desse intervalo, porque também há vida ...

Sou isso, enfim ...

Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.

Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.

É um universo barato.

(Alvaro de Campos)