Eu sei que não é conversa que se tenha. Mas, a razão é simples e decerto merece compreensão.
Roubaram-me os pipos dos pneus do carro. Os quatro! Logo naquelas jantes que são o meu orgulho e onde esfalfo-me a tirar o negro pó de todas as fissuras. Logo aqueles pipos tão leais que cada vez que ia verificar a pressão dos pneus resistiam a sair como se fosse uma tentativa de violação.
E para que querem os larápios os pipos? Para que tipo de colecção de objectos inúteis? Para enfiarem no buraquinho das orelhas a fim de dormirem bem? Para servirem de supositórios? Para colocarem entre os dedos dos pés de modo a pintarem melhor as unhas?
Ainda me dizem que tive sorte. Podiam ter roubado as rodas. Ou até o carro. (Tipicamente português este tipo de raciocínio! Por essa linha de pensamento até ser atropelado é sinal de enorme sorte. “Morreu? Olha que sorte, podia ficar paralítico ou com uma grave deficiência!”; “Ficou paralítico? Ficou deficiente? Olha que sorte, podia ter morrido!”) Para mim é um roubo, independentemente do valor monetário, e um desgosto o que me fizeram. Ponto final.
E como não tenho maneira de encontrar o culpado, delego essa tarefa a quem pode. Se quero justiça de homens, entro com uma acção no tribunal; se quero justiça de quem controla coisas a um nível mais… digamos, elevadamente metafísico, rogo uma praga.
(Raiospartam…)
A petição está feita. Para alguma coisa há-de servir ter um blogue.


