terça-feira, 2 de junho de 2009

Parafuso




“Porque só se é homem assumindo tudo o que fale em nós. Chico pensa na utilidade «prática». Mas, se através dos tempos o homem pensasse apenas na utilidade prática, hoje não seria um homem, seria um parafuso.”

(Aparição,  Virgílio Ferreira)

 


8 comentários:

com senso disse...

Caro Amigo

Muito bem! Esta citação é certeira!
Tanta vez se ouve falar apenas no sentido prático das coisas, sem se perceber que elas podem ter um alcance bem maior do que isso.
Por exemplo o estudo. Estudar para se ter um emprego, como parece ser o objectivo de muitos educadores, e meta política de muitos agrupamentos partidários é profundamente redutor, nivela-nos ao patamar dos instrumentos, do pequeno parafuso do mecanismo.
Em primeiro lugar devemos estudar para nos tornarmos seres humanos mais perfeitos, mais completos, mais capacitados para pensar... o que aliás é o que nos distingue dos animais!
Tudo é bem mais do que o imediatismo prático que se lhe pode atribuir. Gostei!
Um abraço!

Daniel Silva (Lobinho) disse...

“Porque só se é homem assumindo tudo o que fale em nós."

Ou por outras palavras, como diria Terêncio, "nada do que é humano reputo alheio a mim".


Há viver e existir. Existe quem é parafuso.

Abraço

F3lixP disse...

E há imensos parafusos por aí! Conheço alguns, sao sobretudo desinteressantes!

Tongzhi disse...

De facto dá que pensar...
Quantas vezes, na ânsia de tornar as coisas práticas, agimos dessa forma.

Fernando disse...

Interessante...
Mas colocar a questão nesses termos é redutor. Até que ponto a utilidade prática é acção?
Pensar, Agir e transformar...

Violeta disse...

Excelente excerto!
bjs

André Couto disse...

Olá caro amigo.

Há anos li o livro do qual tirou esse excerto. Foi um livro que me marcou porque foi um dos primeiros que senti sair de mim viver do som da respiração das palavras que lia. Algumas falas foram ditas por mim. Algumas partes da vida que passa no livro foram a minha vida.

Se não estou a fazer confusão esse Chico (perdoe-me a preguiça de confirmar no livro se é assim) é o agricultor que já não consegue semear como dantes porque a sua mão já não chega, não enche como dantes, perdeu vida com a vida que se foi esvaindo no tempo do Sr. Chico.
É uma passagem deliciosa essa em que se vive a angústia de um homem que só quer que a sua mão tenha a capacidade de tempos idos e através dessa metáfora todos nós revivamos uma ou outra coisa que fomos perdendo ao longo da caminhada neste mundo.

Como sempre encontro aqui algo que levo comigo ou que me leva a algures onde já vivi.

Um grande abraço.

Socrates daSilva disse...

Com senso,
Sendo necessária a vertente prática da vida - a nossa subsistência está assegurada sobre essas necessidade -, não se pode ignorar a parte sonhadora e emocionalmente sentida da vida.
Pelo menos eu estou ainda estou a aprender alguma coisa sobre o assunto.
Bem hajas. Abraço!


Daniel,
“Há viver e existir.” Nem mais…


F3lixP,
E há quem tenha sido parafuso a vida toda e a certa altura tenha dado por isso!
:-)
Abraço!


Tongzhi,
Afinal a nossa sobrevivência como seres depende de coisas práticas. Aquela história de “amor e uma cabana” fica bem em filmes e livros, mas na vida real não é bem assim. Temos é que ter a consciência dos dois caminhos paralelos. Sem sermos quem somos, integralmente, nada do que é prático parece fazer sentido.
Abraço!


Fernando,
É uma questão pertinente, neste labirinto da vida. Eu também ando a ver se apanho algumas respostas…
:-)
Abraço!


Violeta,
Eu gostei muito dele também e saltou do resto do livro. Bem hajas!
Bjs


André Couto,
É um livro fantástico. Confesso que daqui a uns tempos tenho que o reler para o sentir melhor.

O Chico não é esse agricultor, é um engenheiro. Mas recordas muito bem essa passagem do pobre agricultor. É intensa…

Bem hajas pelas tuas bondosas palavras. Um grande abraço agradecido!