terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Bacon revisto


Andei a pesquisar umas coisas do pintor Francis Bacon. A meio das minhas leituras recordei que um dos seus trabalhos, baseado no quadro do Papa Inocêncio X de Velásquez, fazia parte do meu imaginário de adolescente. Naqueles meus tempos juvenis, ao desfolhar o livro das Selecções, achei muita piada ao desfiguramento que tinha sido feito a um quadro clássico e realista.

Confesso que desde então não tenho dado muita atenção ao trabalho de Bacon. Ao revê-lo reconheço que o seu estilo suscita sensações intensas. Reconheço a grandeza de um homem autodidacta que soube pintar, como poucos, quadros que gritam de desespero, que incomodam, questionam e interpelam. Quadros que expõem a crueza da realidade que nos rodeia.

Pois é, ainda estou a aprender que a arte não fala sempre da harmonia de um esplêndido pôr-do-sol a ser cruzado por uma gaivota, ou por um barquinho de vela…


6 comentários:

Tongzhi disse...

Eu acho que aquele "Presunto" era um bocadinho marado...

Violeta disse...

A arte é um mundo, umas vezes incompreendido, é certo, mas um mundo que nos permite viver, sonhar e viajar apenas olhando uma obra...

com senso disse...

Eu pelo contrário não entendo que a Arte tenha que ter necessáriamente um fim útil, seja de que género for, nem que tenha que conformar com padrões estéticos pré-estabelecidos.
Tem, para mim, que tocar nos sentidos, e isso sendo verdadeiramente subjectivo, varia de cultura para cultura, de época para época.
Eu que pessoalmente, tendo a identificar arte com beleza e harmonia, sinto ao mesmo tempo a força de um quadro como este, em que o termo belo não será muito apropriado como definição!
Para mim a obra de Bacon é um dos mais acabados exemplos do que a arte deve ser: Um catalizador de sensações e emoções!
Uma escolha muito certeira, caro amigo!
Um abraço

pinguim disse...

A vida de Bacon ajuda bastante a compreender a sua obra; vi há tempos um bom filme sobre a vida do pintor, curiosamente com um ainda desconhecido Daniel Craig a fazer de seu amante...

Mike disse...

Conheço melhor outro tipo de bacon do que o Francis. (eu sei...é uma piada óbvia e previsível).

Conheço poucas coisas do Bacon e será preciso, como diz o Pinguim, conhecer algo mais sobre o artista para tentar perceber as coisas meio loucas que pintava.

Abraço.

Socrates daSilva disse...

A todos os que deixaram aqui comentários acerca da obra de Francis Bacon só posso dizer que muito ainda tenho a aprender de uma arte que muito aprecio, que é a pintura. Dentre todas as fontes que me ajudam a alargar horizontes neste tema, a blogosfera é um dos que muito prezo.

Abraços!