sábado, 14 de novembro de 2009

Verdade

“Um amigo ama em qualquer tempo, é um irmão no dia do perigo.”

Provérbios, capitulo 17, Bíblia Pastoral

 

A Bíblia não é apenas um livro de disparates, como diz o nosso amigo Saramago. Claro que quando lemos certas partes com os olhos dos tempos modernos e sem as lentes da fé, soam a disparates, pois claro! E, se a isto, somarmos alguns actos tresloucados que durante a história algumas pessoas fizeram em nome dela, então temos motivos para entender as farpas do nosso Prémio Nobel.

 

Mas, este livro é como a vida. Além de aparentes absurdos também possui coisas lúcidas e necessárias. Esta afirmação sobre a amizade nunca se me mostrou disparatada. Nunca mesmo. Sempre apreciarei o facto de ter sido uma das frases que, desde bem cedo, me era citada sobre como identificar um amigo.

 

7 comentários:

Tongzhi disse...

Concordo inteiramente com o que dizes no post. Quanto ao Saramago, embora possa ter alguma razão, perde-a por se "aproveitar" da pessoa pública que é e não pensar que para alguns, o que ele disse, é mesmo ofensa!

Violeta disse...

Sócrates
linda frase para descrever a amizade.
Gostei de ler as tuas palavras.
Não gosto da prepotência de Saramago mas a verdade é que ele tb tem alguma razão e leva o nome de Portugal mais longe.
Penso que se ele não fosse comunista as suas ideias eram menos criticadas... Será?

altar disse...

É verdade, Sócrates... Muito verdade!
De qualquer forma é um livro com muitas metáforas e parábolas, no meio de "tanta história" temos de saber ler entre algumas entrelinhas... Mas é uma leitura que devíamos fazer... acho eu.

Mike disse...

O Saramago está "xoné" e de vez em quando lá tem que soltar uma demência porque o dinheiro sempre deu jeito e sabe que o consegue soltando uma ou outra farpa contra a igreja.
Quanto à frase não poderia estar mais de acordo com o que dizes.
Abraço.

TUSB disse...

Eu como sempre, vou ser fiel a mim mesmo, e vou dizer o que penso da biblia.
Em primeiro é preciso ver o que ela é...
O primeiro testamentos tem um deus vingativo, que mata crianças, castiga crentes, manda matar quem vista roupas feitas de vários tecidos, manda matar quem semeia diferentes tipos de plantas lado a lado, manda matar adulteros, manda matar homosexuais, chama de impuro pessoas que comam camarões, e fomente o pensamento vingativo, olho por olho, dente por dente... etc...etc...
O segundo testamento é a compilação da escolha de um imperador de 4 evangelios da vida de jesus de entre mais de 20... e dos livros que bem lhe apeteceu escolher para o seu próprio proveito.
Além de isso as traduções foram alterando o sentido de partes inteiras dos textos, e os proprios evangelios foram escritos entre 50 a 100 anos depois da morte de Cristo.

Outro pequeno à parte para os que dizem que a biblia está repleta de metáforas... é pena só ser desculpa para certas coisas (comer camarão, vestir roupas de dois tecidos, ter escravos) mas depois no caso da homosexualidade é tudo literal.

Desculpa o desabafo... mas sou mesmo assim :P

vasco gamito disse...

Para não repetir, revejo-me um bocado no último parágrafo do comentário da Violeta e na totalidade do comentário do TUSB. Lamentavelmente, o nosso Estado ainda vai sendo muito pouco laico, característica que já lhe deveria ter sido conSagrada há muitíssimo tempo, e sem espaço para as "nuances" que ainda se lhe vão vendo! E é aí que vozes como a de Saramago fazem sentido e falta. A voz é o menos, o peso reside na pertinência de se fazer ouvir, e se estas questões não continuassem a ser fundamentais, não incomodariam tanto certos - e, porventura, castos (Deus queira que não) - ouvidos. Abraço!

Socrates daSilva disse...

A todos os que aqui deixaram comentários o meu sincero obrigado; para mim é sempre motivo de alegria a vossa presença e opiniões. Dei comigo a pensar como sou sortudo em dessa maneira valorizarem o meu cantinho.

Em relação à frase sobre a amizade todos estamos obviamente convencidos sobre a sua validade por inteiro. Isso é o mais importante.

Em relação a Saramago e à sua opinião sobre a Bíblia logo imaginei que seria um tema em que existem diferentes sensibilidades. Depois de ler e pensar em todos os comentários, fiquei mais convencido de que o grande busílis da questão não é o livro – a Bíblia - em si.

De um modo geral, qualquer livro encerra opiniões e visões sobre determinado assunto que podem ser discutíveis e, com o tempo, até serem declaradas ultrapassadas. A Bíblia é um livro escrito por homens, para homens, sobre homens que desejavam ardentemente garantir uma ligação com o “algo que nos domina”. Bem sabemos hoje, com tanto tempo de distância e pelos anais da história, os equívocos em que entra quando se trilha esse caminho. Os protagonistas da Bíblia estavam no começo e devem ter dado o seu melhor, penso eu.
:-)

A minha convicção é que Saramago não embirra com a Bíblia por dizer coisas difíceis de entender e de aceitar nestes tempos mais esclarecidos. Se fossemos por esse caminho ele tinha que embirrar com muitos mais livros que andam por aí. O que a ele deve incomodar piamente é o uso que muita boa gente fez, e continua a fazer, da Bíblia. Por exemplo, usá-la como pretexto para impor autoridade, perpetuar poder, limitar a liberdade e castrar a criatividade. Quem conhece minimamente a história sabe quantos crimes foram executados em nome da “verdadeira fé”.

Hoje a coisa está mais limitada e polida, mas ainda existe e, de vez em quando, todos a sentimos. Isso acontece porque algumas pessoas continuam, sob as mais variadas motivações, a achar que a sua missão é obrigar a todos os que a rodeiam a viverem sob a sua visão particular da Bíblia.

Perdem todos. Perdem este tipos de crentes porque aparentam um perfil de frustrados ao preocupam-se mais com a vida dos outros do que a sua; perde a Bíblia como livro histórico, porque é apresentada sob um prisma radical e ficam ofuscadas algumas coisas muito interessantes e verdadeiras que contêm acerca da natureza humana; perdem os que não são crentes porque ocasionalmente lhes falta paciência para este tipo de julgamentos e, numa atitude defensiva, tornam-se provocadores a tudo o que seja religioso.

Esta é a minha impressão, e corrijam-me se estou errado, acerca da postura do Saramago. Penso isto dele não só por estas recentes declarações, mas igualmente pelo que li em alguns dos seus livros.

Desculpem o comentário extenso.
:-)
Abraço a todos!
(Bj para a Violeta)