quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Ainda a propósito do discurso do Sean Penn quando recebeu o Oscar

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Estamos demasiado habituados a representar a experiência gay e lésbica através das figuras da tragédia e da vitimização, por um lado, ou da sublimação pela arte ou pelo prazer, por outro. O gay ou a lésbica internado à força, perseguido e brutalizado por bandos homofóbicos, por um lado; ou a figura de Oscar Wilde ou do hedonista sexual, por outro. 

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Mas Milk era um homem normal, que tinha estudado para professor de liceu, lutara na guerra da Coreia, abrira o seu pequeno comércio, combatera os dejectos dos cães enquanto vereador... Como, afinal, o são praticamente todos os gays e lésbicas - homens e mulheres normais. Foi provavelmente essa normalidade que o matou - esse atrevimento de entrar na esfera pública. Tivesse ficado no "gueto", negociando a sua marginalidade, e talvez tivesse vivido para presenciar a débacle da abolição dos casamentos gay e lésbicos na Califórnia no mesmo dia em que Obama - o outro homem da Esperança - foi eleito.


5 comentários:

Tongzhi disse...

Li este artigo e vi as intervenções do Miguel Vaz de Almeida. Mudei bastante a opinião que tinha dele, fruto de um jantar onde estivemos os dois presentes.
Acho-o muito mais consciente e com uma argumentação mais cuidada.
Quanto ao discurso do Sean Penn, gostei bastante. Acho que foi um dos melhores da entrega dos prémios!!!

No Limite do Oceano disse...

Eu não contava que o Sean Penn tivesse ganho o Oscar, não vi o filme mas acho que o prevalece além da excelente (tenho a certeza que é) performance, há uma mensagem, ou melhor, mais do que uma, quando o Sean Penn receber a estatueta e não tendo problemas em dizer o que ia dentro dele (ele sempre foi o patinho feio de dos bosques luminosos).

*Hugs n' smiles*
Carlos

free_soul disse...

Sem dúvida que esta perpectiva do homossexual que não se vitimisa e que vive o seu dia-a-dia normalmente aflige muito boa gente!!!
Um beijo

pinguim disse...

Eu contava que o Sean Penn ganhasse o Óscar por várias razões: só tinha mais um concorrente de peso, o Mickey Rourke, que continua a ser um "maldito", apesar da "mensagem" do "welcome back"...
E representa, neste seu papel de Harvey Milk uma certa personificação da América pós Bush, muito mais open mind...como a Academia gosta de, por vezes, mostrar que está a evoluir...
E Sean Penn é um Homem de convicções e um osso duro de roer; daí o "peso" das suas palavras surpreendentemente bem acolhidas pelo público presente.
Só não percebo como casou este tipo, com a Madonna? deve ter sido erro de casting.
Muito bom o texto do Miguel Vale de Almeida...
Abraço.

Socrates daSilva disse...

Tongzhi,
Fazer com que uma posição minoritária ganhe o respeito de uma comunidade imbuída de preconceito consegue-se por pequenos/grandes momentos como esse. Claro que muitos e persistentes.

Abraço!


Carlos,
O Sean Penn tem feito trabalhos notáveis. É justo este prémio por tudo.
Abraço!


Free_soul,
Tens razão! Enquanto se pensar que são todos uns anormais, a sociedade fica confortável na sua posição de reguladora e punidora; quando se descobre que afinal são gente normal… ui! E agora?

Bjs


Pinguim,
Sim, o Sean Penn mereceu. O caso com a Madonna? Era novo, não pensava…
:-)
Abraço!