segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sócrates sem óculos e sem bigode















O pinguim já há algum tempo que me fez este desafio. Confesso que tremi, hesitei e duvidei se o faria. (Como é típico em mim….)

Assim, incapaz de chegar a uma conclusão absolutamente segura, lá usei duas das minhas máximas; as que uso para me forçar a decidir alguma coisa antes que o dia acabe:

“É para a desgraça, é para a desgraça…”

“Que se lixe!”


Assim, aqui vai o meu post mais transparente. Melhor que isto só a minha verdadeira fotografia…



Teimosia

Um amigo mais conivente poderá dizer que sou determinado. Mas, na minha sincera auto avaliação acho que pendo mais para o teimoso. Quando tenho algo em mente posso dar mil voltas para lá chegar, mas não paro. Ou me convencem real e profundamente (ou amaçam-me com uma tareia) e desisto; ou então posso ser “vencido, mas não convencido” e então quando menos alguém espera, continuo para onde quero chegar. Quando tenho alguma desavença com alguém, tendo a ser mais pelo quebrar que torcer.



Curiosidade

Desde cedo que assustei os meus progenitores com as “experiências” que fazia. Sim, estive quase a incendiar a casa; misturava toda a sorte de produtos engarrafados que encontrasse; apenas para ver o que acontecia! Vivia toda a gente a dizer-me que um dia a minha curiosidade ia ser a minha desgraça. Reconheço que é uma das minhas características mais fortes, mais incontroláveis e das que me dá mais sentido á vida. Tentei algumas vezes sufocar esta característica para evitar os hipotéticos problemas que poderia ter. Não consegui. Quando algo chama a minha atenção, tenho que saber os porquês.



Lealdade

“Como é que um tipo casado, que esconde que é homossexual, diz que é leal? Como é que anda aqui na blogosfera a escrever o que escreve, escondido de todos e evoca esta qualidade?”


(Abrir parêntesis)

Por lealdade é que, apesar de me sentir diferente desde que tenho memoria, fiz escolhas que todos gostavam que eu fizesse. As decisões que correspondiam àquilo que os outros esperavam de mim. Lealmente achava que a felicidade do grupo era superior á minha.

Por lealdade, nunca tive uma vida dupla, nunca fui promíscuo, não frequentei locais ou sites de encontros furtivos. Mas, cheguei a uma altura na minha vida em que não posso, não quero continuar desta maneira. Sinto que o mero desejo oculto que tenho já é falta de lealdade aos que me rodeiam. Comecei a escrever este blogue numa necessidade desesperada de me informar, compreender e escutar. Pois, não tenho absolutamente ninguém á minha volta com quem possa desabafar. Achei que devia começar por aqui antes de ir a um psicólogo, psiquiatra ou outro profissional de saúde mental. Não iniciei este blogue na ideia de conhecer alguém para viver uma vida oculta. Necessito primeiro encontrar um mínimo de clareza e paz mental. Impus a mim mesmo um prazo razoável para falar, escutar e decidir seja o que for. Este blogue, com as suas características próprias, tem assim um prazo de validade. O que é claro para mim é que nesta situação esquizofrénica eu não quero continuar.

(Fechar parêntesis)


Numa amizade sou leal ao ponto de encarar o apoio dado aos amigos como algo muito sério e onde me empenho arduamente. Aprendi com a experiencia, a por vezes parar e avaliar se não estou a ser chato, e tento moderar equilibradamente a minha entrega. Não suporto ouvir falar publicamente mal dos meus amigos, mesmo quando existe razão. Não tenho problemas em dizer-lhes, em particular, onde é que eles estão a falhar, mas em publico nunca o farei.



Insegurança

Não sei se é devido a uma infância de miúdo gordinho que não sabia jogar futebol, se de alguns traumas do passado ou por ser mesmo assim o meu feitio. No que faço, procuro sinais de aprovação dos outros. Os elogios dão-me a sensação de que fiz algo bem e quando recebo algum sinal de desaprovação – que pode ser imaginário - faz-me pensar que faço tudo mal. Muitas vezes prefiro evitar um confronto, num assunto onde até posso estar certo, só pela insegurança.



Vagarosidade

Não sou preguiçoso, mas gosto de viver calmamente. Arrepia-me as pessoas que andam a correr de um lado para outro sem necessidade, só porque tem a mania de ser eléctricas e que querem meter toda a gente numa espécie de carrossel que cada vez gira mais depressa. Gosto de fazer as coisas sem pressão, gosto de saborear o tempo, gosto de me demorar nos locais, gosto de ler um livro voltando atrás quando me apetece, gosto de me sentar num banco de jardim apenas para lá estar a ver a vida, gosto da sesta. Gosto de ir a lojas e andar lá sem ser para comprar nada, só para ver as novidades, promoções ou sei lá o quê!



Nostalgia

A pior seca que alguém pode levar de mim é quando me dá uma desculpa para falar do passado, dos locais, das recordações. Desembucho histórias, experiências, musicas, filmes, o antigo preço das coisas. Gosto muito de recordar.

Mesmo sendo de lágrima difícil, tenho um “estômago” muito sensível. Um pequeno gesto, uma palavra, uma lembrança singela… recordo-o para a eternidade. Uma música ou uma cena de um filme marca-me (Chorei com o ET em miúdo!)


Este sentimento de nostalgia é em parte também responsável pela minha faceta de sonhador. Sempre a acreditar que tudo vai ser muito bom; que uma situação agradável é o inicio da mais bela história. Como – é fácil de ver – já me lixei com esta característica. Assim, que desenvolvi como auto-defesa o ser um pouco desconfiado no começo de novas situações. Mas, é uma desconfiança artificial, enxertada na minha maneira de ser; o software original é de ser um sonhador incorrigível.




Como é lógico de ver não garanto uma fiabilidade cem por cento a esta avaliação. Primeiro, porque qualquer pessoa é mais do que a soma de seis características. Depois, por que é difícil alguém ser um bom juiz em causa própria. Como Comte afirmou: “Não é possível olharmo-nos através da janela e ao mesmo tempo vermo-nos a passear na rua.”



14 comentários:

Ophiuchus disse...

Quase que esperei ver uma fotografia ;)

É bom conhecer(te_nos)! Gosto de ser teimoso com gente teimosa, e a infância é esse mundo de refúgio ideal porque passado... Medos, medos, quem os não tem? E honestidade, também.

Um Abraço

carpe diem disse...

Que bom "conhecer" um pouco mais da pessoa por trás das frases... E utilizando palavras aqui colocadas...

"Caminante, no hay camino, se hace camino al andar."

beijo...

Arion disse...

Concordo em absoluto com o Comte. E foi com agrado que encontrei ali em cima o Behind Blue Eyes dos Limp Bizkit. Eu que até nem gosto de entrar em blogues e começar a levar com as músicas ou com os vídeos logo pela tromba, hoje fiquei agradado. Abraço! :)

Paulo disse...

a foto está linda. tens de ver se pôs uma dentadura :)

brincadeiras à parte, não tens de tremer por falares de ti. aliás, não o fazes sempre que escreves/pões uma nova entrada?

engraçada essa teimosia. eu que sou teimoso, sou mais pelo vergar sem partir. a curiosidade parece-me muito bem! a lealdade... difícil agradar a gregos e troianos. prefiro agradar a mim próprio e ir fazendo cedências quando é possível. quando é possível! nem sempre é. mas o bem colectivo ou a "felicidade do grupo" para mim é uma enorme abstracção e gosto é de coisas concretas, sem meias tintas. à parte disso, não tens que te justificar em nada quanto à lealdade. basta que aches que o és, até porque tu tens de ser o teu primeiro juiz (e provavelmente o único), para o bem e para o mal. portanto, na minha perspectiva não tens que te justificar seja sobre o que for! em todo o caso, a sinceridade tão abundante ajuda a traçar-te o retrato com uma grande transparência e fidelidade aos teus princípios que são grandes e firmes, está visto.
parêntesis: os amigos são uma grande ajuda antes de qualquer profissional de saúde mental!

sou tão inseguro quanto tu. eu chamo-lhe falta de auto-estima. tu chamas-lhe insegurança, mas parece-me muito semelhante. a aprovação dos outros é essencial, basicamente.
quanto ao vagar, estou nos antípodas de ti. admiro gente como tu, mas não consigo, muitas vezes até nem aguento pessoas assim.
essa do sonhador incorrigível é deliciosa!
somando tudo, fico feliz por esta oportunidade de te conhecer melhor! é bom conhecer as pessoas e ver-lhes tanta sinceridade!

um abraço

Catatau disse...

Olha, rapaz, para mim ficas melhor de bigode, rsrsrsrsrs.

Nem calculas como eu gostei de ler o teu parentesis. Um homem, sem um parentesis é um corridinho, um vira do minho, a vertigem de um carrocel de cadeirinhas. E o teu parentesis é saboroso. Deve ter-te dado tanta garra a escrever como o gosto que eu tive a ler.
Esqueceste-te de discorrer sobre uma característica tua: honestidade. Perante ti, principalmente (mas também perante quem te acompanha neste percurso). E já agora verticalidade, que - pelo que vejo e observo - estás longe de ser um invertebrado.

Bem... cá vai: tu és um bom homem, Sócrates! Tu és um bom homem. :)

(Benvindo ao clube dos teimosos, leais e inseguros. Não sou vagaroso nem nostálgico, mas ainda agora choro com o ET...)

pinguim disse...

Finalmente, Amigo!
Como de diz: "Tardaste mas arrecadaste"...
Não vou entrar em divagações sobre esta ou outra careacterística que apontas; apenas três apontamentos e não originais: 1)-como diz o Paulo, sempre primeiro os amigos que os psicanalistas; 2)- esse teu parêntesis define-te melhor que todas as características juntas (adaptada do Catatau); 3)- como geralmente acontece nestes casos, as qualidades são deixadas para trás, por modéstia ou por esquecimento, e sendo assim, o Catatau já identificou duas ou três e eu aponto uma mais: és muito corajoso!!!
Abração e obrigado pela resposta ao desafio.

Socrates daSilva disse...

Ophiuchus,
Carpe diem,
Arion,
Paulo,
Catatau,
Pinguim,

Agradeço os vossos comentários, não só deste post - que para mim é, em certa medida, diferente dos outros - mas de todos ao longo desta minha “caminhada”. Não me sinto muito há vontade para dar uma resposta individual sobre o que cada um escreveu. Mas, queira a vida permitir que os nossos caminhos se cruzem de outra maneira e terei oportunidade de o fazer.
Um abraço muito sentido e muito grato a todos

P.S.- Arion, em relação á música escolhida, nem necessito de te explicar porque é que há dias em que a escuto vez após vez.

O Fugitivo disse...

Caro Sócrates

Só tu para me fazeres sair da toca.
Ao ler este teu retrato não resisto a sair do meu refúgio/esconderijo para te dizer que faltam aí algumas características que podes, desde já, acrescentar: amigo, disponível, solidário, íntegro, perspicaz...
Um Ser Humano que faz acreditar que no mundo ainda há muita gente de (do) Bem.
Continua o teu caminho...

Um abraço forte.
Daquele que se costumava dar por
Fugitivo

Socrates daSilva disse...

Fugitivo,
Que alegria receber-te nesta "casinha"!
Obrigado pelas tuas palavras.
Um grande abraço!

Tongzhi disse...

Eu penso que o facto de fazeres sair da toca o Fugitivo, é uma prova irrefutável de que "atiraste umas pedradas" certeiras.
O parêntesis chegava para se perceber a pessoa que és. Não vou repetir o que disse o Catatau - apenas que concordo com ele.
Se tivesse que escolher uma única palavra para te descrever, escolheria lutador.
Abaços

Socrates daSilva disse...

Tongzhi,
"Quem tem telhados de vidro, não atira pedras aos vizinhos"
:-)))

Obrigado também pelo teu comentário.
Um abraço!

Special K disse...

Adorei esta tua auto-análise. Já muito aqui foi dito sobre o parentesis e só tenho a acrescentar que também eu sou um pouco nostálgico. considero-me, no entanto um nostálgico saudável, que não não se deixa deprimir com saudosismos.
Gostei de te conhecer melhor neste post. Um abraço

The Unfurry Swear Bear disse...

eu tb quase que esperei por uma foto, para meu maior espanto haha, e de facto foi um fotografia, mesma que não mostrasse a cara, mais importante, mostrou o coração!

Socrates daSilva disse...

Special k,
Unfurry,

Tenho que vos endereçar também a essencia da minha resposta anterior. Sou muito grato pelos vossos comentários regulares e sentidos. Talvez um dia vos transmita pessoalmente a minha gratidão.
Abraço!