quinta-feira, 5 de março de 2009

Se

Mas por vezes, na rua, sem reflectir, com um gesto natural, ela tomava-me o braço, e então, sim, eu dava por mim a chorar essa outra vida que poderia ter sido, se alguma coisa se não tivesse quebrado tão cedo.

... era o curso inteiro dos acontecimentos, a miséria do corpo e do desejo, as decisões que se tomam e que se não podem fazer voltar atrás, o próprio sentido que escolhemos dar a essa coisa a que chamamos, talvez erradamente, a nossa vida.


In As Benevolentes, de Jonathan Littell

9 comentários:

carpe diem disse...

"...as decisões que se tomam e que se não podem fazer voltar atrás, o próprio sentido que escolhemos dar a essa coisa a que chamamos, talvez erradamente, a nossa vida."

Lindo... Obrigada pela partilha...

beijinho...

free_soul disse...

Os IF... os "se" da vida... são isso mesmo são escolhas umas tras das outras que não nos deixam voltar a tras apenas nos deixam reflectir sobre elas...o que até já não é mau de todo para quem tem essa capacidade!

Um beijo...

No Limite do Oceano disse...

Esse excerto vem mesmo a calhar, é pequeno, mas a mim dá-me uma visão bem clara e límpida do subconsciente da pessoa em causa.

Posso estar errado, é bem provável que esteja, mas quando há escolhas a serem feitas, há caminhos que se fecham mal a decisão é tomada.

*Hugs n' smiles*
Carlos

Violeta disse...

este também está na pilha...

Maurice disse...

Estas leituras fazem-te mal...! :)

Forte abraço

Vasco disse...

Como diz o povo, só não há remédio para a morte... Mas já falámos tantas vezes sobre isto, não foi? Abraço!

Daniel Silva disse...

Verdade...

Tong Zhi disse...

Estes "ses" deterministas fazem um certo "gorgulho"...
Alguns serão mesmo, sem dúvida, mas outros...
Eu penso sempre que temos direito, e até obrigação, de procurar ser felizes!

Abraço

Socrates daSilva disse...

Estimado pessoal que me atura e comenta…

Esta é mais uma daquelas frases que assumem um desabafo desfasado no tempo, mas ao mesmo tempo sempre debaixo da pele.
É uma espécie de suspiro que sai alto e profundo inesperadamente no meio de uma conversa que se quer, a toda a força, racional e serena.
É uma lágrima seca que cai sem que ninguém note…

É pá, desculpem lá as voltas que estou a dar, mas seja lá qual a exacta razão, ela diz-me muito. E sempre me dirá, seja lá o que eu consiga fazer no futuro, nesta coisa a que me habituei a chamar a minha vida.

(Sendo agora mais atencioso que é o que vocês todos merecem…)


Carpe diem,
Bem hajas pelo beijinho e por tudo.


Free_soul,
Cada vez concordo mais com essa opinião. Estou farto de não reflectir no passado e depois, como consequência, andei a fazer sucessivamente as mesmas asneiras. E como diz o outro: “Quando a cabeça não tem juízo…”


Carlos,
Sobre o personagem do livro, tens que o ler para entender a complexidade que contem. É intenso. Sobre os caminhos e decisões… Nem sei que te diga.

Abraço!


Violeta,
Vais gostar. O tema é perturbador, mas muito bem escrito. É uma opinião…
(Obrigado pelo belo SE que publicaste no teu blogue!)

Bjs


Maurice,
Eu entendo o que queres dizer, mas não resisti a lembrar-me dessa tua frase noutro contexto. Durante muito tempo escutei esse tipo de “principio”. Existiam livro e assuntos que faziam mal…
Mas, já me deixei disso. Se fazem mal, terei algum palmo de testa para saber onde está o mal e desmontá-lo. Vou a todas, agora.
Eu sei o que quisseste dizer, mas foi só uma espécie de cruzamento de ideias.

Abraço!


Vasco,
Já falamos sim senhor! E, queira Deus, havemos de falar mais…
:-)
Abraço!


Daniel,
Ser ou não ser (verdade)…

Abraço!


Tong zhi,
Também já falaste também disso algumas vezes. E bem.
Abraço!