terça-feira, 3 de março de 2009

Forever

Neste despertar de Março, acrescento mais uma música para a minha banda sonora de 2009. Desta vez armei-me em arqueólogo e recuperei uma antiguidade; uma preciosidade dos meus adolescentes e gloriosos anos oitenta. Esta música teve então os seus momentos de glória nos rádios e nas cassetes de muita boa gente. Entretanto, no que me diz respeito, a certa altura, ela sofreu uma espécie de mutação.

Quando, passada a moda, chegou a altura de coloca-la no seu devido lugar, que é a caixa das simpáticas recordações que, de vez em quando, gostamos - e necessitamos - de revisitar, ela ganhou vida própria, escapou-se-me e fugiu. Mas, não foi para muito longe; juntou-se a um grupo de melodias rebeldes que teimam em não ser encerradas num limite temporal.


Desde então, quando em certas alturas estou sentado e não vislumbro janelas diante de mim, sinto-a regressar. Tenta vir silenciosamente pé ante pé. Como quem quer fazer uma surpresa, abraça-me ternamente por detrás, e encostando a sua face cálida na minha, sussurra-me. Baixinho. (Não sei se será com a intenção cúmplice de que apenas eu a escute ou se é apenas um gesto de ternura.) Ainda tento resistir, um pouco desajeitadamente, titubeando que ela já passou de moda, que já não sou adolescente, que até quando me lembro do teledisco dos Alphaville com aqueles penteados só me dá vontade de sorrir…

Mas, então, sem contra-argumentar, ela toca-me com dois dedos ao de leve nos meus lábios, para delicadamente me fazer calar, e trauteia:


A vida é uma viagem curta,

A música é para os homens tristes...

 

Então eu escuto-a desafogadamente.

Quando termina peço-lhe que repita pelo menos mais uma vez. E ela, fingindo ignorar os meus olhos vítreos, percorre com as suas mãos os meus braços até encontrar as minhas. E entrelaçando os seus dedos nos meus, repete e torna a repetir…

 

 


10 comentários:

No Limite do Oceano disse...

Essa música numa nova roupagem por parte dum grupo australiano (se não estou em erro) chamado Youth Group e agora numa publicidade dum carro (não me recordo que carro é mas também não importa) está novamente em "voga".

È certo que a versão para mim não é nova porque apareceu em 2007 (se não estou em erro...ops...estou-me a repetir, a memória está a ser sacaninha) numa série de televisão chamada O.C.

Fazes bem ir relembrar a versão original, eu sendo um apreciador de música dos anos 80, sei o que sabe bem abrir certas janelas e sentir músicas que nos dizem alguma coisa.

Há músicas que são eternas!

Podes já não ser adolescente, mas pelos visto lembras-te bem o que é ser um :-)

*Hugs n' smiles*
Carlos

Daniel Silva disse...

Só me dá vontade de a cantar... lol... Escreves bem sobre como ir buscar uma recordação... que afinal é sempre actual, porque mesmo as músicas de grupos francamente mais antigos e que nao são do "nosso tempo" nao deixam de continuar actuais...

Vasco disse...

Faz parte da banda sonora original da minha existência. E lembro-me tanto do refrão a propósito de tanta coisa... Um dia destes conto-te ;) Abraço!

Violeta disse...

e tu também me fizeste lembrar velhos tempos...
boa noite e obrigada!

pinguim disse...

É uma música intemporal, até na letra...
Abraço.

Fernando Leroy disse...

Belo achado! Gosto muito dela também. Abraço!

carpe diem disse...

Ora eis uma das músicas que faz parte da minha adolescência e ainda há pouco tempo comprei o cd só por causa dela, por vezes ainda sinto o grito da adolescente que fui... :)

beijinho...

Socrates daSilva disse...

Carlos,
Creio que sei qual é o anúncio a que te referes. É bem conseguida a versão, mas eu prefiro a original. Como dizes, é eterna!
É interessante essa tua observação sobre eu lembrar-me do que é ser um adolescente. Na minha vida real, costumam dizer-me isso e nem sempre como um elogio.
:-)
Abraço!


Daniel,
Eu sou saudosista assumido. E então as músicas dos 80’s …
Abraço!


Vasco,
Esta música na altura mexeu com muita gente…

(Fico à espera.)
Abraço!


Violeta,
Bem hajas pelo comentário…
Bjs


Pinguim,
Música e letra estão muito bem. A até o “teledisco”, para os padrões dos anos oitenta.
Abraço!


Fernando,
Bem-vindo ao clube.
Abraço!


Carpe diem,
Tenho a música no computador e volta não volta cá está ela para me “abraçar”.
Nunca deixes de ter o espírito de adolescente. Faz tão bem…
Bjs

GRITOMUDO disse...

... rui veloso tem um tema onde diz.
Não se ama alguém que não ouve a mesma canção
isto é vardade?
as vezes sim. outras não.
gosto mais da pergunta dos Xutos.
quem me ama?

GRITOMUDO

Socrates daSilva disse...

Gritomudo,
Isso da canção do Rui deve ser mais uma metáfora para coisas mais sérias do que outra coisa. Não se estraga nenhum amor por causa de uma canção.
:-)

A pergunta do Xutos realmente tem mais lógica. Acho que a vida encarrega-se de lhe responder.

Abraço!